A vida, acima de tudo, ensina a gente a desapegar. É, ensina a finalmente rasgar aquela fotografia em trinta pedaços diferentes e queimar, ensina a doar aquele jeans velho e moído - mas tão confortável…, a vida nos ensina a apagar aquela música ótima do Caetano, mas que lembra aquela pessoa desagradável. Mais apropriado seria afirmar que a vida nos obriga a aprender, mas é tudo natural, sabe?! Essa vontade de seguir em frente, de finalmente vender aquela casa na praia que a gente quase nunca usa, de botar uma blusa vermelha por cima da preta básica, de cortar logo o cabelo em Chanel e não se importar com o resultado. Cabelo cresce. Gostos musicais mudam, qualquer dia o Caetano não vai te afetar tanto quanto aquela música do Djavan que você ouvia no radinho de pilha enquanto sua mãe estava varrendo a cozinha e fritando frango naquele dia de chuva. Memórias ficam, memórias torturam, mas qualquer dia elas se tornam só memórias - e o que se leva disso tudo, além da saudade e uma nostalgia de vez em quando? É natural. A vida ensina a desapegar, a esquecer, a se renovar. E aquele vestido florido nem vestia tão bem em mim quanto essa nova jaqueta de couro